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HARDWARE

EUA ameaçam fabricantes de memória, com tarifas de 100% caso não produzam em solo americano

O cenário para o mercado global de semicondutores sofreu uma nova escalada de tensão em janeiro de 2026. Durante a cerimônia de inauguração da nova fábrica da Micron Technology em Syracuse, Nova York, o Secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, emitiu um ultimato direto aos fabricantes estrangeiros de memória: ou investem em produção doméstica nos Estados Unidos, ou enfrentarão tarifas de importação de 100%.

Fonte: SK hynix

A medida faz parte da política industrial “America First” do governo Trump, que busca reduzir a dependência externa de componentes críticos, especialmente agora que a memória DRAM e o HBM (High Bandwidth Memory) tornaram-se o gargalo para o desenvolvimento da Inteligência Artificial.

O ultimato de Howard Lutnick

As declarações de Lutnick marcaram a primeira vez que o governo americano mira especificamente o setor de memórias com ameaças tarifárias tão agressivas. Segundo o secretário, o acesso ao mercado consumidor dos EUA será condicionado à presença física de fábricas no país.

“Quem deseja construir sistemas de memória tem duas opções: pode pagar uma tarifa de 100% ou pode fabricá-los nos Estados Unidos. Isso é política industrial.” — Howard Lutnick, Secretário de Comércio dos EUA.

O governo já estabeleceu um precedente com Taiwan: empresas taiwanesas que constroem fábricas nos EUA receberão isenções tarifárias baseadas em sua capacidade de produção local. Espera-se que este modelo de “cotas e isenções” seja utilizado como base para as negociações com outros países.

Samsung e SK hynix sob pressão

A ameaça atinge em cheio as gigantes sul-coreanas Samsung e SK hynix, que juntas dominam cerca de 70% do mercado global de DRAM. Embora ambas tenham anunciado investimentos bilionários nos EUA recentemente, o foco desses projetos não é a produção em massa de chips de memória.

  • Samsung: Possui compromissos para infraestrutura de semicondutores em Austin e Taylor (Texas), mas ainda não confirmou planos para uma linha de produção de memória de última geração em solo americano.
  • SK hynix: Anunciou um investimento de US$ 4 bilhões em West Lafayette, Indiana, focado em embalagem avançada 2.5D e pesquisa e desenvolvimento, sem previsão de fabricação de wafers de DRAM no local.
  • Micron: Atualmente, é a única das três grandes que produz memória nos EUA e está expandindo massivamente suas operações em Nova York e Idaho, o que a coloca em uma posição competitiva privilegiada diante das novas tarifas.

Fonte: SK hynix

Consequências para o mercado e a crise da memória

A imposição de uma tarifa de 100% poderia ser catastrófica para o preço final de componentes de hardware em 2026. Com a demanda por IA já elevando os preços da DRAM a patamares históricos, uma tarifa dessa magnitude dobraria o custo de importação de chips essenciais.

  1. Custo de RAM e SSDs: O preço de pentes de memória para notebooks e desktops, que já subiu significativamente no último ano, poderia sofrer um novo salto, tornando inviável a montagem de PCs de baixo custo.
  2. Impacto na IA: Empresas como NVIDIA e AMD dependem do HBM coreano para seus aceleradores. Tarifas de 100% elevariam o custo de infraestrutura de nuvem e serviços de IA globalmente.
  3. Risco de Escassez: Analistas alertam que, se as empresas coreanas e taiwanesas (como Nanya e Winbond) não conseguirem mover suas linhas de produção rapidamente — um processo que leva anos — o mercado americano poderá enfrentar uma falta crônica de suprimentos.

A situação coloca os fabricantes em uma encruzilhada matemática: arcar com os custos de construção nos EUA, que são estimados em quase o dobro dos custos na Ásia, ou enfrentar a exclusão econômica do mercado americano por meio de impostos proibitivos.

Fonte da matéria: WCCFtech

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Galindowie • 19 de janeiro de 2026 às 23:02 GMT-3

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