Riotoro Ghostwriter, Cherry + RGB a um baixo custo?

Riotoro Ghostwriter, Cherry + RGB a um baixo custo?

Compartilhar

Introdução

A Riotoro é uma marca que surgiu a partir da união de ex-funcionários da Nvidia e Corsair, sendo uma marca relativamente nova, que teve seu início em 2014 e tem sua sede localizada na Califórnia. A marca inicialmente deu as caras trazendo gabinetes, porém hoje já conta com uma gama diversificada de produtos, de Water Coolers e fontes até periféricos, que por sinal é a categoria que está na nossa mira hoje. Nessa análise iremos analisar o Riotoro Ghostwriter, que é o primeiro teclado da marca. Vamos ver como ele irá se sair!

Design

O Riotoro Ghostwriter apresenta um design simples, porém com “recortes” que dão a ele um aspecto mais “gamer” sem perder a elegância, lembrando vagamente o Logitech G710+. No teclado encontramos a identificação da marca em suas 2 laterais, contendo a nomenclatura “Riotoro” e também em seu apoio de pulso, onde encontramos o logo do fabricante no canto direito.

Ele é um teclado full-size, ou seja, possui teclado numérico e tudo. O modelo dessa análise tem o layout ANSI e a fabricante não informou se tem intenções de trazer modelos ABNT2 (padrão brasileiro) para o mercado nacional. Isso acontece por causa da necessidade de uma grande encomenda por parte do fabricante para sua OEM (original equipment manufacturer), e como o ABNT2 é usado apenas nas terras tupiniquins, trazer sem saber se vai ter espaço no mercado acaba sendo um grande risco para os investidores. Apesar disso, ao meu ver não é um problema, já que configurando e sabendo usar é possível utilizar todas as teclas do padrão brasileiro, como por exemplo o “ç” onde é necessário apertar as teclas “´” (acento agudo) e “c”, além de que achar keycaps personalizadas para ANSI é algo extremamente fácil, ao contrario de keycaps para o layout ABNT2, que são impossíveis de serem encontradas.

Outro detalhe interessante a se frisar é que o mesmo em sua parte inferior apresenta uma coloração meio vermelho salmão, cor essa que é possível visualizar em suas laterais dependendo do angulo avistado e também em sua traseira. Na sua traseira encontramos um HUB USB com duas entradas 2.0, algo simples mas que muitas vezes acaba sendo uma “mão na roda” para conectar um pen drive, por exemplo.

entradas usb

Botões extras

O Ghostwriter vem com botões extras para controle de multimídia, sendo eles: mute, anterior, parar, pausar/reproduzir e avançar, além de um “scroll” para controle de volume. Isso é muito interessante de ter no teclado e que acaba sendo bastante útil e facilitando o acesso em vez de ter que utilizar da tecla FN em conjunto com alguma outra tecla para esse tipo de função. Todas as teclas multimídia possuem uma retroiluminação em azul, menos o controle de volume, que é feito em um material metálico com detalhes em “fendas” e, ao contrario do controlador do G710+, esse possui estágios assim no scroll de mouses.

Teclas multimídia

 

Construção externa

A construção externa do teclado apresenta basicamente 2 materiais, embaixo das teclas temos um plate de metal à mostra, o mesmo tem uma pintura em cinza escuro com acabamento que imita aço escovado. Em volta desse plate temos um acabamento em plástico, porém o mesmo é muito bem feito e praticamente não dá para notar onde um acaba e onde o outro começa.

Apesar de termos esse material metálico à mostra, isso não torna o teclado necessariamente melhor que outros teclados, já que praticamente todos os teclados mecânicos apresentam um plate metálico em seu interior, porém com uma cobertada de plástico. As pessoas costumam pensar que esse tipo de teclado acaba sendo superior por mostrar esse acabamento em metal, mas na verdade eles simplesmente não têm a cobertura de plástico superior (como a inferior). Ou seja, ao invés de ter algo a mais, esse teclado tem algo “a menos” que a maioria dos outros teclados. Isso não o torna frágil de forma alguma, sua construção demonstrou ser ótima e feita para durar.

Seu cabo não é removível, contudo aparenta ser de ótima qualidade e não deve comprometer a durabilidade do produto. Ele é relativamente espesso e na sua ponta acaba se dividindo em dois, sendo uma conexão para o teclado e outra para o HUB USB. Cada uma das pontas possui uma cor, porém não temos um indicativo mostrando qual ponta serve para quê. Não que isso seja um grande problema, mas por questões de capricho (e frescura), poderiam ter algum identificador.

Na parte inferior, como já mencionado anteriormente, o plastico é da cor vermelho salmão. Lá encontramos o logo da marca e uma etiqueta com algumas informações do teclado (modelo, consumo, número de série etc.). Também encontramos 5 pés de borracha e outros 2 extras em seus pezinhos de ajuste de altura, que inclusive rotacionam em 90 graus, fazendo com que não exista o problema de empurrar o teclado para frente ou para trás e os mesmos acabarem recuando. Também temos 3 pés de borracha em seu apoio de pulso, que por sua vez se fixa ao teclado através de imãs. Isso,ao meu ver, é uma proposta interessante, contudo os imãs são relativamente fracos, e se fizer algum movimento brusco ele sai com certa facilidade. Mas podem ficar tranquilos, com esse tanto de “pé”, o teclado fica bem fixo na mesa e não temos esse problema com escorregadas.

Parte inferior com apoio de pulso instalado

Keycaps

Texto copiado do review do G610 com algumas leves modificações, já que as keycaps de ambos são semelhantes, se você leu o nosso review do G610, praticamente pode pular essa parte

Caso não saiba do que estou falando, keycaps são o plástico com algo impresso em sua superfície, o qual costumamos chamar de “teclas”. Assim como a maioria dos teclados mecânicos disponíveis no mercado, especialmente os mais populares e considerados topo de linha, o plástico utilizado nas keycaps do Ghostwriter não são da melhor qualidade. Já a pintura (forma como os caracteres são impressos em sua superfície), embora seja de boa qualidade, é laser. Esse tipo de pintura consiste em pegar uma keycap com um plástico transparente (para a passagem de luz) e pintá-lo de preto. Após isso, um laser irá “desenhar” o caractere de cada keycap, removendo a tinta preta.

O lado negativo desse tipo de pintura é que, caso não seja de boa qualidade ou caso o usuário sue muito, pode haver um desgaste na área em que o caractere foi gravado, de modo que o mesmo fique impossível de se identificar – além de ficar bem feio.

Keycaps desgastadas

Keycaps desgastadas ficam assim

Embora o Ghostwriter não seja um teclado de alto custo e esse tipo de pintura seja, de certa forma, aceitável, existem teclados de custo ainda inferior no mercado chinês com keycaps de qualidade superior. Estes, no caso, possuem keycaps em plástico ABS e pintura Double-Shot, como o famoso Motospeed CK104 e o Mantistek GK2, entre vários outros.

O método de pintura Double-Shot consiste em prensar duas peças de plástico, em ordem de formar o caractere. Esse método é muito superior e, também, mais caro. Apenas alguns teclados topo de linha utilizam esse método de pintura, como o Ducky Shine 5, embora outros teclados de alto custo como o Razer BlackWidow Chroma e o Corsair Strafe RGB utilizem o método à laser mesmo (o que é algo desapontador).

Keycap com método de pintura Double-Shot

Keycap com método de pintura Double-Shot

Uma boa notícia para o fato de que o Riotoro Ghostwriter não esteja disponível na versão ABNT, é que as suas keycaps são padronizadas. “Mas Igor, o que isso significa?”. Bom, isso significa que você pode colocar kits completos de keycaps customizadas que estão disponíveis nas mais variadas opções, tanto em estilo/cores quanto no material e método de pintura. Embora algumas tenham um preço bastante elevado, são uma boa para quem gostaria de possuir keycaps de maior qualidade e/ou deixar seu teclado mais bonito.

Set de keycaps em plástico PBT

Set de keycaps em plástico PBT

É possível fazer algo muito parecido (ou até igual, dependendo da compatibilidade do kit de keycaps) com a customização da imagem acima no Ghostwriter.

Keycaps dos respectivos teclados: Riotoro Ghostwriter – Deck Francium 87 – Logitech G710+- Corsair K65 RGB

Construção interna

O Ghostwriter, apesar de não ser um teclado que acaba sendo imponente por sua construção externa, na sua construção interna não houve economia. O teclado conta com o switch Cherry MX Black, estando disponível no momento também em Cherry MX Brown. Para quem não conhece, os primeiros switch Cherry surgiram nos anos 80, sendo uma marca que é referência nessa questão.

Switch Cherry Black

PCB

Essa é a PCB (printed circuit board) do teclado, onde todos componentes do teclado são “instalados”.

vista geral do PCB do teclado

Suas soldas não são de boa qualidade, mas também não devem apresentar defeitos. Apesar de serem irregulares (algumas com muita solda, outras nem tanto), não encontrei em nenhum local soldas faltando, também por todo teclado encontramos manchas de resíduo de solda (estes não são nocivos ao teclado). Esse aspecto do teclado, aliado ao formato de suas keycaps, desconfio que este teclado tenha como OEM a iOne, que é uma fabricante regular.

Soldas irregulares do teclado

Também encontramos duas PCB secundarias, sendo uma responsável pelo HUB USB e outra pelo controle multimídia do teclado.

Em verde placa responsável pelos controles multimídia e em vermelho a placa responsável pelo hub usb

No teclado temos 3 ligações via cabo, 2 de 5 pinos padrão, sendo uma na PCB principal, responsável pela comunicação do teclado com o computador e outra vai ligada no Hub USB. Temos também um terceiro cabo, que por sua vez é flat, semelhante aos encontrados em notebooks, que é responsável pela ligação das teclas multimídias na PCB principal.

Em azul conexão do hub, em vermelho conexão do teclado e em verde conexão das teclas multimidias

Iluminação

Chegamos à parte que o pessoal geralmente mais gosta. O Ghostwriter conta com iluminação RGB de 3 bits feitas por leds do tipo SMD, que é um tipo de iluminação com cores limitadas.

RGB 3 bits

Por se tratar de um teclado RGB sem software, temos algumas funções acessíveis através do uso da tecla “FN”, com isso podemos definir a velocidade do efeito apertando nas teclas “Page Up” e “Page Down” e a intensidade do brilho apertando “Home” e “End”.

Teclas responsáveis pelo controle de efeitos e cores

Definimos o efeito apertando a tecla FN + “Insert”, sendo que temos 11 efeitos diferentes. Já a cor selecionamos apertando na tecla FN + “Delete” e skfdsjfghdklghfdkjdegurando a tecla FN e utilizando as setas podemos definir para qual direção o efeito será reproduzido.

Também é possível fazer um perfil no qual você define a cor que gostaria em cada tecla apertando FN + “Print Screen”, o que fará as teclas F1 a F5 piscarem, onde pode selecionar em qual perfil a configuração será salva, já que é possível salvar essa configuração em até 5 perfis. As cores são definidas ao clicar na tecla enquanto configurado para essa função.

Conclusão

O Ghostwriter se mostrou um teclado extremamente interessante e de ótimo gosto, principalmente na escolha de seu switch. É um teclado que tem tudo para se sair bem nas vendas caso a marca consiga investir bem no marketing, por se tratar de uma marca nova e pouco conhecida em território nacional. E claro, também vai depender do preço em que o mesmo será comercializado, mas chegando com um valor entre R$ 425 e R$ 525 tem tudo para ser um sucesso e ter uma ótima relação custo-beneficio, mas acima disso o teclado se encontraria em uma situação complicada, visto que teríamos concorrentes de construção igual e/ou superior.

O teclado tem seus “defeitos”, como a falta de uma opção em ABNT2 e RGB 3 bits, mas apesar dos pesares, posso dizer que o teclado se saiu muito bem em nossa análise e torcemos para que a marca consiga implementar com sucesso o teclado em nossas terras tupiniquins, e também torcemos para que o mesmo chegue em um valor justo.

Gostaria de deixar aqui também meus agradecimentos ao pessoal da Riotoro Brasil que confiou no nosso trabalho e mandou essa amostra.

Créditos: Igor André – www.oficialphe.com.br