Porque a Nvidia não está permitindo modelos overclockados da GTX 1070 Ti

Porque a Nvidia não está permitindo modelos overclockados da GTX 1070 Ti

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Com o lançamento oficial da Nvidia GeForce GTX 1070 Ti, um fator estranho chama a atenção: os clocks padrão das placas. Enquanto em outros lançamentos as parceiras da empresa tiveram mais liberdade para mexer em ajustes dos chips, todas as GTX 1070 Ti estão operando com o mesmo clock base: 1607MHz.

Isso fica bem evidente quando olhamos para o site da EVGA, por exemplo. Compare a variedade de configurações no clock base em modelos “mais modestos” da GTX 1080 até as versões com resfriamento híbrido. Projetos mais robustos de resfriamento e alimentação chegam com clock base mais alto de fábrica, indo de 1607MHz a até 1721MHz:

Já na linha GTX 1070 Ti:

Se observarmos com atenção chega a ser cômico a EVGA usar como especificação 1607+MHz como clock base. É quase como se fizesse o máximo de esforço para dizer que o clock é 1607, mas pode e deve ser usado como mais que isso.

Esse padrão não é exclusividade da EVGA, e nem um padrão que surgiu aleatoriamente.  A Nvidia não está permitindo que as fabricantes lancem os modelos overclockados, e o intuito é evitar que surgissem modelos da GTX 1070 Ti mais caros que modelos da GTX 1080, o que parece ter dado certo, já que os modelos mais caros da GTX 1070 Ti que verificamos na Newegg estava saindo por US$ 499, curiosamente o mesmo preço da mais barata GTX 1080 em promoção no momento. Obviamente as 1070 Ti se tratavam de modelos robustos da placa, enquanto a 1080 nesse valor era muito próxima do modelo referência.

Esse recurso acabou virando uma forma de artificialmente evitar que o line-up da empresa “se quebrasse”, e a GTX 1070 Ti eventualmente virasse um produto acima da GTX 1080 por uma excessiva proximidade das duas. Mas, na prática, nem isso foi o bastante. Em nossos testes com a GTX 1070 Ti referência, ela em alguns momentos se sai melhor que a GTX 1080 referência. Com o mesmo sistema de resfriamento disponível para ambas, descobrimos que o GP104 da nossa GTX 1080 é mais “esquentadinho” que o da GTX 1070 Ti que chegou por aqui. A diferença de aquecimento fez com que o GPU Boost fosse mais agressivo na 1070 Ti, mantendo em alguns momentos até 100MHz a mais do que o clock em uso pela 1080. O resultado são alguns FPS a mais para o modelo que, na teoria, devia ser pior.

A falha aconteceu no excesso de proximidade entre os dois modelos, e criar essas artificialidades soa uma solução que beira ao tolo. As empresas já estão trabalhando em seus “jeitinhos” para burlar isso, com soluções como o overclock com um clique ou softwares praticamente automatizados para overclock, por exemplo, mas tem muito consumidor que não mexe nas frequências de sua placa de vídeo, e acaba perdendo esse potencial adicional de desempenho por conta dessa trivialidade. Felizmente o pior não aconteceu: a Nvidia bloquear o overclock da 1070 Ti, como indicaram alguns rumores no passado.

No fim, acho que seria mais fácil reconhecer o cadáver da GTX 1080 na sala e parar de ficar colocando limitações ou artificialidades para fazer de conta que está tudo bem. O lançamento da GTX 1070 Ti praticamente igualou o desempenho e o GDDR5X não parece ter deixado nenhuma saudade. Deixem a GTX 1080 ir em paz.

Fonte: Adrenaline