Mercado de placas-mãe não anda nada bem

Mercado de placas-mãe não anda nada bem

Compartilhar

Em qualquer lista sobre os componentes essenciais de um computador a placa-mãe será citada, também pudera, é base para a instalação de outros elementos insubstituíveis como o processador, memória RAM, e placa de vídeo, por exemplo. Por isso sempre vale a pena prestar atenção na aquisição de um novo modelo, observando as suas características como compatibilidade com novos padrões de armazenamento ou algumas features extras encontradas em versões mais robustas, como o chip de áudio integrado.

Porém, a placa-mãe sozinha é apenas um item de decoração para um aficionado por eletrônica, é necessário investir em todo o conjunto da obra que constitui um computador, e claro que quando o consumidor não se sente impactado por um novo processador que chega no mercado ou um novo padrão de memória a aquisição de uma nova placa-mãe fica para segundo plano.

E atualmente esse é o reflexo do mercado, assim como o Windows 10 e o seu processo de licenciamento gratuito podem ter dado uma travada a mais no mercado de PCs, a falta de “punch” dos processadores Skylake e toda a demora em relação ao lançamento dos Kaby Lakeestão minando e muito os fabricantes de placas-mãe.

Em 2015 o embarque de placas da ASUS e Gigabyte, líderes de mercado, caíram cerca de 10%, com o envio de 17,8 milhões e 17,1 milhõesrespectivamente. Em 2014 ambas as empresas estavam na casa dos 19 milhões de embarques.

Se esses um pouco mais 17 milhões forem desmembrados em relação aos períodos do ano, as coisas ficam ainda ainda mais tenebrosos. No primeiro semestre de 2015 ASUS e Gigabyte enviaram cerca de 9 milhões de placas, já no segundo semestre esse número caiu para menos de 5 milhões.

E vale lembrar que estamos falando de “leões da indústria”, se mencionarmos aqui outras companhias como ECS, Biostar, e até a MSI a situação é ainda pior. De acordo como Digitimes no segundo trimestre de 2016 as vendas de placas-mãe apresentaram quedas de 20% a 30%, e a previsão é que no terceiro trimestre continue fraco, isso faz com que algumas companhias mudem seus planos de negócios, ainda mais quando não há uma verba tão alta para investir em marketing, como a ASUS e a Gigabyte costuam fazer..

A ECS (Elitegroup Computer System) por exemplo, aos poucos está abandonando a produção de placas próprias, embora ainda tenha investindo em modelos voltados para os processadores Skylake, que saíram no ano passado. Assim como a Biostar, o foco de ambas as companhias parece ser as soluções integradas. No ano passado a Biostar enviou apenas 1,71 milhão de placas-mãe, queda de 44% em relação a 2014. A previsão é que em 2016 o volume de vendas da companhia caia pela metade.

Em relação ao total de placas que serão enviadas aos lojistas em 2016, a previsão é que a ASUS e Gigabyte trabalhem na margem dos 17 milhões, MSI com4,5 milhões, ASRock com 4 milhões, Colorful com 2 milhões, ECS com menos de 2 mihlhões e a  Biostar com menos de 1 milhão.

Outros fabricantes asiáticos ainda menos expressivos em relação ao mercado de placas-mãe estão pulando fora, como a Jwele, e a Onda que agora se concentrará na produção de monitores LCD e mini-PCs, mercado onde cada vez mais empresas estão investindo.

Embora eu tente pensar em algumas saídas para o problema, no momento não me ocorre muitas alternativas, talvez com o lançamento dos processadores Zenda AMD, que oficialmente estão previstos ainda para 2016, e até os Kaby Lake da Intel que deverão aparecer em 2017, chamem a atenção do consumidor, e os faça investir em novas placas.

Falando em processadores também vale a pena mencionar que devido ao baixo impacto que o Skylake causou no mercado, o estoque dos lojistas ainda está recheado dessas CPUs. Alguns rumores inclusive apontam que os processadores Zen tanto os KabyLake serão lançados apenas no início de 2017, durante a CES 2017. 

No caso da Intel, além dos lojistas estarem com uma boa reserva de Skylake e Haswell guardados, os Kaby Lake de acordo com rumores não apresenta um grande salto de desempenho em relação aos Skylake, o que não coloca a Intel em processo de adiantar o lançamento ou correr contra o relógio. Já com a AMD, além do estoque de FX também estar grande, a companhia estaria botando fé que os Zen farão frente as novas opções de seu concorrente, e por isso estariam aguardando uma espécie de lançamento simultâneo.

A falta de interesse do consumidor, inovações inexpressivas em relação a modelos anteriores e a própria crise que boa parte do mundo passa no momento, estão criando uma “bola de neve gigante”, onde muitos fabricantes de placas-mãe serão simplesmente engolidos.

Fonte: hardware.com.br