Baseada em 3D Xpoint, tecnologia Intel Optane traz velocidades de SSD mesmo...

Baseada em 3D Xpoint, tecnologia Intel Optane traz velocidades de SSD mesmo com HD

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Enquanto os preços dos SSDs continuam muito altos em comparação com os HDs, muitos usuários ainda enfrentam lentos tempos de boot, longas esperas para abrir programas e navegar na internet. Baseadas na tecnologia NVMe 3D Xpoint, as memórias Intel Optane chegam para ocupar um espaço totalmente novo no seu computador, fazendo o meio-de-campo entre a memória RAM e o seu dispositivo de armazenamento — seja ele um HD ou SSD.

O que diabos é uma memória Intel Optane?
Primeiros passos primeiro: o módulo de memória Intel Optane é um acelerador de sistema. Ele basicamente aprende as tarefas que o seu Windows mais executa e se adapta a elas. Coisas como o boot do computador, a abertura de programas e navegadores — e qualquer outra tarefa frequente na verdade — são radicalmente aceleradas pela presença do módulo. Existe a promessa até de melhoria nos tempos para abrir e carregar os jogos.

No anúncio da tecnologia, a Intel e a Micron disseram que o 3D Xpoint em si é mil vezes mais rápido que a Flash Nand dos SSDs mais populares. Só que isso só acontece a nível celular, e a empresa nem chegou a explicar a física e a química de como o chip opera. Em casos de uso real, o desempenho é limitado pelo barramento, então os ganhos são menores do que isso. A Intel jura que essa melhora existe, especialmente para computadores que ainda possuem um HD como seu drive de boot.

Quem tem um disco rígido tradicional sabe que pode esperar até mais do que 1 minuto apenas para o seu computador ligar. Mesmo depois que ele está utilizável, ainda assim há vários pequenos atrasos que podem incomodar o usuário. Por exemplo, levar 2 segundos para abrir um navegador — ao invés de ser algo instantâneo. Esses dois problemas estão entre os exemplos do que as memórias Intel Optane podem resolver.

Como elas fazem isso?
O módulo de memória Intel Optane serve como um cache para a unidade de armazenamento principal do sistema, seja ela um HD ou um SSD SATA. Isso é algo que já era feito por alguns HDs híbridos, que trazem alguns MB de memória NAND Flash para cache. O resultado são velocidades muito próximas às vistas com o uso de um SSD, ao menos no BOOT do sistema. De acordo com a Intel, a escrita sequencial de um módulo de 32 GB chega a até 290 MB/s, enquanto a leitura sequencial vai até a 1.350 MB/s. O que, em certos casos, é pior que muitos SSDs SATA, mas ainda muito acima dos HDs tradicionais.

Porém, como nota o pessoal do site Tweak Town, o que realmente vai fazer diferença são as leituras aleatórias 4K e as de baixa profundidade de fila (da sigla em inglês QD). Nesse aspecto, as memórias Optane entregam de 5 a 8 vezes o desempenho aleatório nas QDs de 1 até 4, como você vê no gráfico abaixo. O motivo é que nessa área de desempenho é onde ocorrem a maior parte das leituras do sistema operacional. Ou seja, é aí que você vai sentir o seu computador abrindo programas mais rápidos.

Mas tem limitações, não tem?
Claro que uma tecnologia do tipo enfrentaria limitações, afinal é da Intel que estamos falando e é uma tecnologia nova. E fique ligado que são muitas. Primeiro, você precisa ter uma placa-mãe com chipset Z270 ou B250 — ou HM175, QM175 e CM238 caso seja um notebook. Além disso, é necessário um processador Intel Core de 7ª geração (codinome Kaby Lake) ou mais recente. Isso mesmo, só vale Core i3, i5 ou i7. Nada de Intel Celeron ou Intel Pentium. Para fechar, é necessário ter Windows 10 64-bits.

Em primeiro lugar, de acordo com o site Anand Tech, isso é algo que não faz muito sentido. Afinal, o único requisito de hardware real parece ser um processador Intel Core de 6ª geração (Skylake) com um chipset da série 100 ou mais novo. Além disso, não parece haver nenhum impedimento físico para o uso do Intel Optane junto de um SSD NVMe, algo que a Intel diz não ser suportado. Portanto não seria nenhuma surpresa se alguém conseguir hackear o módulo para funcionar com esses hardware.

Essas limitações fazem a tecnologia até perder o seu apelo para consumidores domésticos, ao menos num primeiro momento. Afinal, o grande barato é melhorar desempenho de um PC que ainda não atualizou seu HD antigo. Ou seja, estamos falando de máquinas de gerações anteriores. Requerer upgrade para um plataforma totalmente nova afasta exatamente esse público. Isso quer dizer, no mínimo, um investimento de cerca de R$ 600 no processador Core i3 mais barato e mais uns R$ 500 numa placa-mãe compatível. O que não é muito condizente com a pirâmide liberada pela Intel, abaixo. E ainda tem total impossibilidade de fazer isso junto de um processador AMD Ryzen, por exemplo.

O que eu posso comprar agora?
A única opção para consumidores no momento é uma placa add-in que se conecta através da porta M.2 do computador. O nome do hardware é Intel Optane Memory, que é vendida em modelos de 16 GB e 32 GB. Ele é compatível com PCIe x2 de 3ª geração. Em cenário internacional, leia-se EUA, a versão de menor capacidade é vendida por US$ 49 (R$ 155 em conversão direta), enquanto a de maior sai por US$ 79 (R$ 251).

Confira as especificações do produto abaixo:
– Leitura sequencial: até 1,350 MB/s
– Escrita sequencial: até 290 MB/s
– Velocidade máxima de leitura aleatória 4K: até 240,000 IOPS
– Velocidade máxima de escrita aleatória 4K: até 65,000 IOPS
– Latência de leitura: 9us
– Latência de escrita: 30us
– Energia em uso: 3.5 Watts
– Energia quando ocioso: 1 Watt
– Durabilidade: até 182.5 TB escritos
– MTBF: 1.6 milhões de horas
– UBER: < 1setor por 10^15 bits lidos
– Recurso de confiabilidade: Proteção de dados de ponta-a-ponta
– Garantia: Garantia limitada de 5 anos

É fácil de instalar?
A resposta curta é não. Podemos dizer que, se você não for um entusiasta, vai ser bem complicado instalar as memórias Intel Optane. Primeiro, ele só funciona junto da sua unidade de armazenamento principal. Depois, a memória da Intel ainda fica ligada com o número de série do seu HD ou SSD. Ou seja, se você tiver que trocar o módulo de Intel Optane ou o seu drive de boot, você será obrigado a refazer todo esse trabalho. Para completar, você ainda precisar atualizar a BIOS da sua placa-mãe e baixar drivers específicos da Intel.

O  que dizem as primeiras análises?
Nós ainda vamos receber uma unidade do produto para testar aqui no Adrenaline, mas alguns sites internacionais já publicaram suas opiniões sobre essa novidade. E os julgamentos variam para os dois extremos, de gente que amou até quem não vê uma boa relação de custo/benefício no produto.

A análise do site Tweak Town, por exemplo, foi só elogios. Eles deram a primeira nota 10 de sua história, concluindo que o Intel Optane junto de um HD resulta num sistema operacional mais responsivo do que o melhor SSD baseado em NAND Flash. Eles ainda elogiaram o baixo custo da solução apresentada pela Intel. A única crítica foi para a baixa capacidade dos produtos.

 

Já no site Digital Trends, o panorama foi totalmente outro. Eles até verificaram os mesmos ganhos de desempenho, mas a crítica foi para o custo/benefício. Afinal, a tecnologia precisa ser usada em conjunto com algo como um HD mecânico. E esse HD vai custar o mesmo preço que o módulo de Intel Optane — o que lá foram passa o preço de US$ 79 para US$ 150 (de R$ 251 para R$ 480). Por esse mesmo valor, a análise sugere que se compre um SSD de 480 GB a 525 GB lá fora.

 

A unidade de análise do Anand Tech simplesmente falhou depois de cerca de 1 dia de testes. Eles consideraram o espaço de tempo curto demais para se ter um veredito final. Mesmo assim, eles verificaram uma real melhora de desempenho nos testes que conseguiram fazer. O principal ponto negativo foi o alto consumo quando o dispositivo está ocioso, de 1W. Em desktops isso não é problema, mas a solução também será usada em notebooks, onde cada gasto a mais de energia é um problema. A review levantou as mesma questão de que, do ponto de vista financeiro, é uma melhor opção comprar um SSD NAND Flash de maior capacidade.

 

Para completar, no Tech Report, também foi verificado o mesmo aumento de desempenho e melhora de resposta do sistema operacional. Apesar disso, foram apresentados os mesmos problemas de falta de apelo por só suportar CPUs Kaby Lake e pelo fato de que muitas pessoas do público-alvo já possuem um SSD, que traz os mesmos benefícios. A análise teve um tom cautelosamente otimista. Levando em conta que os preços de SSD devem subir em 2017, eles viram um mercado em potencial para o Intel Optane.

 

O que a Intel projeta para o futuro?
É praticamente regra que novas tecnologias de armazenamento vão ser testadas num ambiente corporativo antes de chegar até os consumidores, afinal esse mercado é muito mais receptivo a produtos mais caros de grande desempenho. Foi exatamente isso que a Intel fez com o SSD DC P4800X, que oferece de 5 a 8 vezes melhor desempenho de leitura e escrita sequencial, em comparação com tecnologias anteriores.

 

O produto é uma excelente demonstração de como deverão ser os SSDs para consumidores com a marca Intel Optane que podem chegar nos próximos anos. Uma das principais vantagens apresentadas pelo DC P4800X é que ele promete a absurda durabilidade de 30 escritas por dia e 12.3 Petabytes de dados. E a Intel ainda diz que essa é uma estimativa conservadora. Mesmo assim, a companhia oferece 5 anos de garantia.

No momento, só existe uma opção de 375 GB, mas em breve a empresa vai trazer modelos de 750 GB e 1.5 TB. Claro que os preços para ele são compatíveis com o mercado e o desempenho, então a opção mais barata já custa US$ 1,5 mil (R$ 4,8 mil). No futuro, ainda vai ter uma alternativa com conector U.2, em oposição ao PCI-e do modelo inicial. Agora resta saber quando isso tudo vai chegar nas mãos do público em geral.

Fonte: Adrenaline.com.br